Obesidade infantil: a saúde dos pequenos!

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O tratamento da obesidade infantil é complexo e multidisciplinar. Quer saber como funciona? Leia esse texto e saiba quando você precisa buscar ajuda para o seu filho!

Como anda a saúde do seu filho?

Obesidade Infantil – detecção e tratamento

Em primeiro lugar precisamos informar que há várias opções de tratamento para a obesidade infantil e o sobrepeso. Quanto maior o grau de excesso de peso, maior a gravidade da doença. As crianças devem ser tratadas de forma cuidadosa, conforme a idade, uma vez que cada uma pode apresentar diferentes fatores para o ganho excessivo de peso.

A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo poderá chegar a 75 milhões, caso nada seja feito.

Gráfico da Obesidade Infantil no Brasil/ Fonte: IBGE.

Gráfico da Obesidade Infantil no Brasil/ Fonte: IBGE.

No Brasil, a obesidade vem crescendo cada vez mais. Alguns levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade. Entre crianças, estaria em torno de 15%. No último levantamento oficial feito pelo IBGE entre 2008/2009, foi percebido o movimento crescente da obesidade infantil.

1 -Mudanças que podem fazer uma grande diferença para a saúde do seu filho (a):

  • Invista nas frutas, legumes e vegetais;
  • Prefira alimentos integrais aos refinados;
  • Evite alimentos como biscoitos, bolachas e refeições prontas. Elas são ricas em açúcar, sódio e gorduras – tudo o que não pode ser digerido em exagero;
  • Limite o consumo de bebidas adoçadas, incluindo os sucos industrializados. Essas bebidas são calóricas e oferecem poucos ou nenhum nutriente;
  • Reduza o número de vezes em que a família vai comer fora, especialmente em restaurantes de fast-food. Muitas das opções do menu são ricas em gordura e calorias;
  • Sirva porções adequadas, uma vez que as crianças comem bem menos do que os adultos. Se sua filha ou filho não conseguiu comer todo o prato, não o force a terminar;

2-Prática de atividade física

Além de queimar calorias, os exercícios físicos também ajudam a fortalecer os ossos e músculos das crianças, melhoram o humor, promove ganhos psíquicos e sociais e ainda ajudam no sono. Outro fator importante é que o incentivo à atividade física na infância pode fazer com que a criança mantenha esses hábitos no futuro, evitando a obesidade ao longo da vida.

Crianças devem fazer pelo menos um tipo de atividade física todos os dias, sejam eles os esportes, aulas de dança ou atividades não programada como brincadeiras, como pega-pega, esconde-esconde e usar os brinquedos de um parque.

3- Uso de medicamentos:

Para casos graves de obesidade infantil, já associados com outras condições, podem ser prescritos medicamentos. No entanto, o tratamento farmacológico não é frequentemente recomendado para adolescentes e crianças – a não ser que ele tenha alguma doença que necessite de tratamento com remédios como distúrbios da tireoide ou colesterol alto.

Contudo, os medicamentos não substituem a adoção de hábitos saudáveis, como dieta e prática de exercícios.

4- Em último caso, a cirurgia!

A cirurgia bariátrica pode ser uma opção segura e eficaz para alguns adolescentes severamente obesos que não conseguiram perder peso através de convencionais, porém essa cirurgia não é realizada em crianças porque possuem o corpo e metabolismo muito jovem, sujeito a muitas alterações.

Por isso, vale salientar que como qualquer tipo de cirurgia, há risco de complicações. Além disso, os efeitos a longo prazo da cirurgia de perda de peso no crescimento e desenvolvimento futuro de um adolescente são em grande parte desconhecidos. É importante que o adolescente seja acompanho por uma equipe de especialistas, como endocrinologista, nutricionista, pediatra e psicólogo.

Mesmo assim, a cirurgia não é o caminho mais fácil para perder peso. Ela não garante que a criança/ adolescente vai perder o excesso de peso, nem mesmo que o peso será mantido depois. Também não substitui a necessidade de seguir uma dieta saudável e um programa de atividade física regular.

Aprendendo com as mudanças,  criando novos hábitos.

Você pode adotar algumas estratégias para fazer seu filho ou filha:

  1. comer melhor e praticar mais atividades físicas pode ser uma grande brincadeira!
  2. Se a criança se recusa a comer, seja firme!
  3.  Se a criança tem o exemplo em casa de pessoas que priorizam a alimentação saudável, ela também poderá criar bons hábitos alimentares e de saúde.
Se alimente com o que eu mando, mas não coma o que eu como!

Se alimente com o que eu mando, mas não coma o que eu como!

É muito importante que os pais fiquem firmes com a criança e sempre exponham a ela os motivos pelos quais ela deve comer o que eles estão indicando. Ainda mais se ela pede no lugar algum alimento que não fará bem a ela, como trocar a refeição toda por um copo de leite ou um lanche fast food.

As crianças (e os adultos também!) precisam provar várias vezes um alimento antes de dizer que não gostam dele. O ideal é fazer isso desde cedo, evitando comidas e bebidas mais palatáveis, como itens refinados ou açucarados artificialmente. Isso não chega a prejudicar o paladar, mas se os pais só comem e só oferecem para os filhos os sabores salgado e doce, o azedo e o amargo ficam discriminados e a criança se condiciona a não gostar deles. Por isso, é saudável oferecer itens como chocolate amargo, limonada não adoçada, entre outros. Como a criança não vai querer fazer isso de livre e espontânea vontade, é preciso que os pais sejam criativos e mudem as formas de preparação e apresentação do alimento. Colocar um legume picado com o macarrão ou arroz, por exemplo, é uma ótima pedida. Se a criança não foi acostumada desde cedo, é preciso ter paciência, pois ela realmente poderá demorar um tempo para se adaptar aos novoos sabores.

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Comer com os olhos:  deixando os alimentos mais atraentes!

Comer bem pode ser muito divertido!

Comer bem pode ser muito colorido e divertido!

Não adianta ofertar alimentos saudáveis, sem que eles pareçam atraentes e apetitosos. É claro que  os lanches não nutritivos como salgadinhos e frituras cheiram bem e agradam o nosso paladar. Entretanto, você deve substitui-los por outros itens. Por exemplo, é possível colocar os itens mais saudáveis com uma apresentação mais agradável para a criança. Picar um alimento com a abobrinha, por exemplo, misturá-lo com outro, fazendo um patê para um lanche integral, pode ser uma forma de a criança começar a consumir esse alimento mais saudável e nutritivo.

O ideal é introduzir os novos alimentos com mais calma, sem fazer muito alarde para a novidade do cardápio. Não precisa de muito esforço, é só fazer o prato, oferecer naturalmente e todo mundo comer junto. Se os pais falam muito que hoje o filho vai provar uma coisa nova, pode atrapalhar a aceitação. Caso o item não faça tanto sucesso inicialmente, vale apresentá-lo para a criança de uma outra forma, misturado a outros itens ou em forma de purê ou ainda inserido em algum suco (como por exemplo o suco de limão com couve, laranja com beterraba e outros). Mexer com o lúdico no prato da criança também é muito importante, brincando com as cores e montando pratos mais agradáveis ao olhar.

Se a criança fizer birra…

A questão da birra vai além da alimentaçãose a criança faz birra porque quer ou não quer comer algo, também faz porque quer que os pais comprem algo, porque não quer obedecer regras e limites, enfim, fazem birra constantemente. O ideal é que desde cedo os pais mostrem que eles dão a palavra final nas decisões e que com a birra a criança não vai conseguir o que quer: seja um pacote de salgadinho, seja um brinquedo novo. É importante não reforçar este comportamento. Uma saída é deixar a criança sozinha no momento da birra e só conversar com ela quando parar.

Evite barganhar!

obesidade infantil pirraça

Foto:divulgação

Barganhar muitas vezes é uma atitude eficaz, mas nem sempre é a melhor forma de educar uma criança. Ao negociar o consumo de vegetais no almoço por uma bela sobremesa, por exemplo, você não ensina o principal, ou seja, a necessidade de saúde na refeição, só faz uma troca sem dar a maturidade pra criança entender o motivo disso. Ou seja, a criança só fará a ação em busca de um ganho, e não porque é o certo.

Incentive novas modalidades de atividade.

É comum os adolescentes não gostarem de praticar atividades físicas, uma forma interessante de descobrir novas atividades é levá-lo a clubes ou academias que ofereçam aulas variadas, como lutas e dança. Ele ou ela pode assistir um pouco de cada aula, observar as características dos alunos e associar essa dinâmica às habilidades e preferências que ele possui.

No caso das crianças, encontre atividades que também estão ligadas com seu gosto pessoal. Por exemplo, se ela gosta da natureza, experimente uma caminhada no parque para colher folhas ou observar animais. Se ela gosta de subir em objetos ou móveis, encontre parques com brinquedos que possibilitem essa interação, como barras. Se a criança gosta de ler, podem fazer uma caminhada a pé ou de bicicleta para uma biblioteca.

Passeios em família promovem aproximação e confiança!

Atividades em grupo e ao ar livre são altamente motivacionais. Uma ida ao parque no final de semana pode ser um empurrão para o começo da prática de atividades físicas. Alugar patins e bicicletas ou mesmo praticar algum esporte em grupo pode servir de estímulo para o adolescente ou criança perceber que os exercícios não são desagradáveis como ele pensava.

Dê o exemplo!

Os filhos tem os pais como referência e podem usar o sedentarismo deles como desculpa para também não praticar exercícios. Estar atento aos próprios costumes é importante para dar um bom exemplo aos seus filhos, de forma que eles encarem a atividade física como algo benéfico.

Como os adolescentes passam por uma fase de mais independência, pode ser que não se interessem pela ideia dos passeios com a presença dos pais. Nesses casos, você pode propor que ele pratique algum esporte ou exercício com os amigos. As chances de o jovem abandonar a atividade é reduzida quando ele está entre amigos e pessoas que tem afinidade, pois um acaba incentivando o outro a fazê-la. Convidar os amigos do seu filho para o passeio no parque pode ser muito mais motivador para o jovem do que estar em companhia apenas da família.

Evite forçar a barra!!

Ter pais ativos é uma grande influência para praticar atividades físicas – mas o tiro pode sair pela culatra caso exista muita cobrança e competitividade. Algumas pessoas exigem demais que os filhos pratiquem exercícios e até incentivam a competição. Esses pais não entendem que a atividade física, nesse momento, deve ser algo para o prazer. O ideal é deixar que o filho escolha uma modalidade pelos benefícios à saúde e pela diversão, deixando as competições para outros momentos.É importante também não forçar o jovem a praticar qualquer tipo de atividade com a qual ele não se sinta à vontade.

Driblando a vergonha e o bullying!

bullying-gordo

Um dos maiores dramas para quem está acima do peso é a vergonha do próprio corpo, pois a infância e adolescência são fases de desenvolvimento e mudanças. Isso pode fazer com que ele rejeite qualquer atividade física que exija roupas diferentes ou o coloque em situações constrangedoras. Nesses momentos, a melhor forma de ajudar é conversando com seu filho.

Escutar o que o adolescente tem a dizer pode ajudar a identificar e eliminar as causas do problema. Uma conversa franca e acolhedora, pode possibilitar a busca de alternativas para solucionar a crise. O bullying que deve ser observado e identificado pelos pais ou educadores, se o seu filho reluta em fazer qualquer tipo de atividade física, principalmente na escola, pode ser sinal de que ele foi alvo de bullying e prefere rejeitar essa prática, a fim de que não sofra mais esse desconforto. Manter um diálogo com ele para tentar identificar e ajudar a resolver possíveis problemas é sempre muito saudável. Nesses casos, não querer fazer atividades físicas é só a ponta do iceberg – pode ser necessário buscar um acompanhamento psicológico para reverter o problema.

Complicações possíveis da obesidade infantil

Como prevenir?

  • Agende as consultas  e faça acompanhamento multiprofissional de forma regular;
  • Procure comer alimentos saudáveis e fazer exercícios regularmente para manter seu peso;
  • Evite disputas de poder relacionadas com os alimentos. Não use doces ou outros pratos como recompensa ou punição para as atitudes da criança
  • Enfatize o positivo, destacando o lado positivo da boa alimentação e do exercício
  • Lembre sempre de elogiar seu filho (a), toda vez que houver algum avanço em um hábito saudável!
  • Seja paciente. Muitas crianças com excesso de peso podem chegar a um peso saudável com o crescimento.
  • Seja responsável com seu próprio peso. A obesidade geralmente ocorre em vários membros da família. Se você precisa perder peso, isso vai motivar a criança a fazer o mesmo.

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